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Resenha: Talvez não tenha criança no céu – Davi Boaventura

downloadTítulo: Talvez não tenha criança no céu                   

Autor: Davi Boaventura                                                      

Editora: Virgiliae                        

Número de páginas: 126                                                  

Ano de publicação: 2012                            

Sinopse: " No entanto, ali na pista de dança, meu corpo somente se ocupava em se desprender do chorume sujo das células e dos músculos e, escondido pela multidão, eu só queria obedecer ao ritmo desritmado da música expulsa pelos autofalantes suspensos ao redor e uma estrutura portátil de alumínio, de modo que minha reação natural foi fechar as pálpebras e não me deixar mais ser incomodado por ninguém. Só me restou deixar a multidão me levar em meio ao calor e ao suor e ao empurra-empurra de sempre, a música sem letra tocando e eu deslizando feito um bobo, para um abrir de olhos depois, ou assim me pareceu, cair exausto e grudento na calçada, do lado de fora da festa, com a pele vermelha de calor."

 

Resenha:

Livro escrito pelo autor Davi Boaventura, é um autor com estilo próprio, uma escrita costurada de linguagem forte, interessante, diferente até. A leitura é bem corrida, não possui estrofes e falas, sem atenção é fácil se perder. A edição é muito boa, as ilustrações são de Matheus Frey  e são lindíssimas. 

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O livro conta a história de um quarteto adolescente, composto pelos seguintes personagens: Paloma, Cássio, Gil e o narrador cujo o nome não é dado.

Paloma e Cássio são irmãos, e os dois parecem ter amor e ódio mortal um pelo outro. Ninguém nunca soube compreender de verdade o que há por traz dessa relação complexa entre os irmãos.  Fazem o típico papel de riquinhos. Provavelmente, enfrentarão incontáveis entradas e saídas de uma clínica de reabilitação, para assim futuramente morrerem de overdose. Paloma tem 13 anos, é sensual, com o corpo de mulher e a essência de uma jovem de 19 anos. Seu relacionamento mais longo havia durado 3 meses. Com pouca idade e muito precoce  sabe ser mulher e as formas de 'roubar seus pais de suas mães'. Cássio é mais velho que sua irmã, se comporta como um cafetão, é o líder do bando, decide tudo sempre o que vão fazer, se acha o dono do mundo, mas não passa de um adolescente frustrado e inconsequente que mais tarde acabará sozinho e sem amigos. Gil é o melhor amigo do narrador, dos quatro é o que parece ter mais chances de um futuro promissor.  Aproveitará seus últimos dias de férias com festas, garotas e bebedeiras. Seu destino será se casar, ter filhos e exercer uma profissão. E por fim, o narrador, um garoto sem sonhos, esperanças, ideologias, perdido e aos seus olhos um completo zero esquerda. As vezes sente inveja de Gil, desejando ser ele. Seus pais são separados, vive com sua mãe, onde suas conversas são bem curtas, ela vive em função do trabalho e quase não para em casa.

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Esses adolescentes estão em uma fase do ensino médio em que param para pensar o que serão no futuro e ao mesmo tempo, passam por uma grande dificuldade para entender o mundo, a sociedade e a vida como é. O livro é todo focado  em cima desses dois ou três últimos dias de férias,  o quarteto vai para festas, extravasam na bebida, vivem uma vida nem um pouco saudável para adolescentes como eles.  Ali nessas festas e idas a praia, se desenrola toda a trama dos personagens. O livro não termina com um final feliz restaurado,  e deixa uma imagem de juventude perdida, com jovens sem sentido ou razão para viver, adoecem antes mesmo de florescer. Eu achei que o livro ficou devendo, o tema foi bem colocado e por isso apesar de ter entendido a intenção do autor, ele poderia ter dado mais detalhes e deixar o livro um pouco mais completo em termos de história.

Não sei se recomendo, mas nem por isso deixa de ser um livro legal, leiam e tirem suas próprias conclusões!

Classificação:  Modelo1-3

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2 comentários
  • Ianca

    @Davi B. – Oii Davi! Td bem?
    Muito bacana tê-lo por aqui!
    Bom, não tem porque se sentir desta forma só porque não supriu todas as minhas expectativas, sou da seguinte opinião: toda leitura é válida de algum modo e em ângulos diferentes se é que me entende. Haha!
    Os assuntos são de interesses na sociedade, foram bem abordados, inclusive acredito que deixam margem para uma próxima edição.
    Eu que agradeço por ter passado por aqui. E obrigado pelas sugestões, já era de minha intenção procurar por outros títulos e o farei assim que puder.
    Ver um comentário seu por aqui prova o quanto você se interessa pela sua criação. Poucos autores se dedicam a isso.
    Será sempre bem-vindo!
    Abraços e até +!

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  • Davi B.

    Ianca,

    Uma pena que o livro não tenha sido de todo seu agrado, mas agradeço pelas palavras e pela atenção. Se tiver interesse em procurar outros títulos do gênero, além de recomendar o clássico Apanhador no Campo de Centeio, recomendo uma olhadela em Ilusões Pesadas, de Sasha Sperling.

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